Um grupo de pesquisa do Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade Federal de Santa Catarina estuda o uso da mosca-da-fruta, Drosophila melanogaster, como alternativa a roedores em testes de medicamentos antidepressivos. O grupo é um dos pioneiros nesse campo.
Coordenado pela professora Cilene Lino de Oliveira, o estudo busca padronizar testes que indicam precocemente se um fármaco pode ter ação antidepressiva. Em um espaço onde cabe um rato, cabem centenas de moscas, e uma semana é suficiente para acompanhá-las do nascimento à fase adulta, o que reduz custos, amplia o número de animais disponíveis e diminui o custo ético, já que a vida do inseto é mais curta. Se a abordagem funcionar, a necessidade de roedores nos testes será reduzida ou, no cenário mais otimista, eliminada.
Nos experimentos, as moscas são estressadas por três dias com frio, calor, inversão do ciclo de luz e privação de alimento, e os pesquisadores observam se o tratamento previne as mudanças de comportamento. Os dados atuais indicam que doses baixas de fluoxetina aumentaram a preferência por açúcar nas fêmeas estressadas, mais do que nos machos, e que o efeito depende da dose e do sexo dos animais.
Um fármaco identificado nas moscas ainda precisaria ser testado em roedores e, depois, em humanos. Os primeiros testes-piloto ocorreram em dois mil e quinze, e em dois mil e vinte e cinco a equipe obteve financiamento do CNPq e da Fapesc para continuar o trabalho.
Fonte: UFSC
