Um boletim federal prevê chuvas acima da média na região Sul do país até dois mil e vinte e sete, em razão do fenômeno El Niño, confirmado em junho por órgãos federais de monitoramento climático. Diante desse cenário, Florianópolis antecipou o cronograma de manutenção hidrográfica da cidade, com a limpeza diária de rios, córregos, canais e valas em todos os bairros da Capital, sob responsabilidade da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, com apoio da Subsecretaria de Saneamento Básico.
A ação está prevista no decreto de Estado de Alerta Climático, publicado em onze de junho. Junto do decreto, foram anunciadas medidas para ampliar a resiliência da Capital, entre elas a intensificação da manutenção dos sistemas de drenagem, o investimento na ampliação da rede de escoamento, o fortalecimento das regiões de encostas e a capacitação das equipes. A gestão da crise climática cabe a um comitê municipal, coordenado pela Subsecretaria de Defesa Civil, que reúne secretarias municipais, órgãos estaduais e federais, concessionárias de serviços públicos, universidades, entidades comunitárias e organizações da sociedade civil.
A limpeza hidrográfica consiste na retirada de resíduos sólidos, vegetação excessiva e areia acumulada no leito dos cursos d’água, mantendo rios, córregos e canais desobstruídos e com maior capacidade de vazão, o que reduz o risco de extravasamentos, alagamentos e enchentes nos períodos de chuva intensa.
Segundo o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer, a limpeza hidrográfica não é apenas uma resposta à emergência, mas também prevenção e segurança, já que o trabalho precisa estar concluído antes da chuva — durante o temporal, nenhuma máquina compensa um rio assoreado ou um canal obstruído. Desde dois mil e vinte e dois, já são mais de oitocentos e vinte e oito quilômetros de cursos hídricos limpos, resultado de quatro anos de manutenção diária que, segundo o secretário, mostram o que a gestão entende por saneamento: um pilar permanente e fundamental para a segurança de todos.
De acordo com o subsecretário de Saneamento Básico, Bruno Vieira Luiz, cada curso d’água exige uma resposta própria: onde a escavadeira alcança, o serviço é mecanizado; onde não há acesso para a máquina, ou a intervenção exige mais cuidado, as equipes atuam manualmente. Ao final de cada mês, é fechado um relatório com a extensão total limpa e os pontos atendidos, que serve de base para o planejamento do mês seguinte. Segundo ele, essa constância é o que permite à cidade chegar antes dos efeitos do El Niño, de forma que, quando a chuva chegar, os canais já estarão com capacidade plena de vazão.
O diretor de Macrodrenagem, Lindomar Forte, destaca que o modelo garante atuação diária em todas as regiões da cidade — Centro, Continente, Norte, Sul e Leste da Ilha. Segundo ele, o resultado do trabalho aparece quando chove: no Monte Verde, o Rio Vadik era um ponto histórico de alagamento, com vários registros até o início de dois mil e vinte e cinco. Depois do desassoreamento, choveu cento e vinte milímetros em um único dia, em dezembro, sem nenhum acionamento por alagamento na região — um padrão que, segundo o diretor, é perseguido em cada frente de trabalho aberta pela equipe.
Desde dois mil e vinte e dois, Florianópolis acumula mais de oitocentos e vinte e oito quilômetros de cursos hídricos limpos, resultado de quatro anos consecutivos de manutenção diária em todos os bairros. O melhor resultado histórico foi registrado em dois mil e vinte e três, com duzentos e quarenta e seis quilômetros. Em dois mil e vinte e cinco, o programa voltou a superar a marca de duzentos quilômetros, com duzentos e vinte e três quilômetros de extensão atendida e quinhentos e três cursos hídricos beneficiados.
Entre as intervenções já executadas, destaca-se o canal artificial de drenagem da bacia do Rio Tavares, no Sul da Ilha, que não recebia manutenção desde sua criação, em mil novecentos e oitenta e cinco. As obras de limpeza e desobstrução começaram em março de dois mil e vinte e três, divididas em cinco etapas, com escavadeira hidráulica sobre pontão flutuante e apoio de equipe em solo. Ao longo dos dois quilômetros e meio de extensão, o canal foi ampliado de dois para sete metros de largura, e a profundidade média passou de cinquenta centímetros para três metros e meio.
No Campeche, as equipes finalizaram, no dia dezessete de julho, a limpeza manual da Lagoa da Chica para retirada de macrófitas aquáticas, com apoio de pequena embarcação e acompanhamento do Departamento de Unidades de Conservação, órgão da Fundação Municipal do Meio Ambiente, conhecida pela sigla Floram. A lagoa está inserida no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, e a ação, que atendeu demanda técnica e pedido da comunidade, não envolveu remoção da vegetação natural utilizada para nidificação, alimentação ou descanso de animais. Já no Monte Verde, além do resultado no Rio Vadik, foram limpos mais de quatro mil, oitocentos e quarenta e um metros de extensão nos cursos hídricos do bairro em dois mil e vinte e cinco.
Em Canasvieiras, no Norte da Ilha, o Rio do Brás passa por revitalização desde dezembro de dois mil e vinte e quatro. Até março de dois mil e vinte e cinco, foram retirados cerca de cinco mil metros cúbicos de sedimentos do leito, e em vinte e dois de março do mesmo ano foi concluída a instalação de três aeradores, com apoio da companhia catarinense de águas e saneamento, cada um com abrangência de quatro mil e quinhentos metros quadrados. As margens receberam plantio de espécies nativas e vegetação de restinga.
Fonte: Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável / Subsecretaria de Saneamento Básico
