Entre a Lagoa da Conceição e a Praia do Moçambique, Florianópolis esconde um paraíso secreto que a maioria das pessoas que vivem na capital desconhece. Considerado um verdadeiro santuário ecológico, o Parque Estadual do Rio Vermelho protege uma rica biodiversidade da Mata Atlântica e serve de abrigo para a recuperação da fauna silvestre do estado.
O parque integra uma das principais Unidades de Conservação de Proteção Integral de Santa Catarina, abrangendo uma área de mil quinhentos e trinta e dois hectares. Existe uma trilha ecológica que permite ao público conhecer de perto espécies variadas de animais, como o bugio-ruivo, a cobra-caninana, o urubu-de-cabeça-preta e a lontra-neotropical.
Criado oficialmente em dois mil e sete para preservar a biodiversidade da Mata Atlântica, o parque carrega marcas do tempo: uma enorme área do local é coberta por pínus e eucaliptos, árvores que fazem parte de um histórico programa de reflorestamento realizado ainda na década de mil novecentos e sessenta.
Antes mesmo da criação oficial, o local já servia como refúgio para animais que foram vítimas de tráfico, maus-tratos ou criação ilegal em cativeiro. Até hoje, eles chegam ao parque após serem resgatados pela Polícia Militar Ambiental ou encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres, órgão sob a tutela do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina.
Segundo a médica-veterinária Debora Rodrigues de Abreu, cada animal passa por uma triagem e uma avaliação, que definem sua destinação: o berçário, para os filhotes; o ambulatório, para os que precisam de cuidados médico-veterinários; ou os recintos, onde passam pelo processo de reabilitação. Depois dessa etapa, é decidido se o animal está apto para a soltura ou se será encaminhado a locais para ficar sob cuidados humanos. O trabalho realizado no parque é essencial: o espaço já devolveu mais de trinta mil animais para a natureza.
Além da fauna, a trilha revela segredos raros da flora catarinense. Durante o percurso, os visitantes podem observar a Unha-de-Gato, um arbusto que atinge entre três e seis metros de altura. A espécie é endêmica das restingas litorâneas de Santa Catarina, ou seja, não existe em nenhuma outra parte do planeta.
O ponto alto do parque é a trilha ecológica guiada, conduzida por guias locais experientes. A maior parte do percurso é feita de forma acessível sobre um deck de madeira, com duração média de cinquenta minutos. O local funciona de terça a domingo, das nove às dezessete horas, e as saídas para o passeio guiado acontecem a cada trinta minutos, com a primeira às nove horas e trinta minutos e a última às dezesseis horas.
Os ingressos custam quinze reais para o público em geral e sete reais e cinquenta centavos para estudantes, idosos e moradores do entorno. Há isenção para crianças até cinco anos acompanhadas de um adulto pagante, estudantes de escolas públicas da região e responsáveis por grupos escolares.
O local também oferece estrutura completa para passar o dia, com banheiros, lanchonete e pontos de energia, mediante uma taxa de vinte reais. Já para quem deseja uma imersão total na natureza, o parque disponibiliza o Camping do Rio Vermelho, com diárias entre quarenta e cinquenta reais por pessoa.
Fonte: ND Mais
