O Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), em Florianópolis, passou a realizar hemodiálise pediátrica após duas décadas de tratativas para implantação do serviço.
A novidade marca um avanço histórico na saúde pública catarinense e já beneficiou o primeiro paciente atendido na unidade.
Joaquim Schmidt Mascarenhas, de 13 anos, natural de Rio do Sul, tornou-se o primeiro a realizar o procedimento no hospital. Portador de má formação renal desde o nascimento e vivendo com apenas um rim, ele apresentou agravamento do quadro no fim de 2025.
Após tentativa de diálise peritoneal sem resposta satisfatória, houve indicação de hemodiálise, agora realizada no próprio HIJG.


Até então, crianças internadas que necessitavam do tratamento eram transferidas para o Hospital Jeser Amarante Faria, em Joinville.
Com a implantação do novo serviço, o procedimento passa a ser feito à beira do leito da UTI, evitando deslocamentos e reduzindo riscos em casos agudos. O hospital conta atualmente com duas máquinas e equipes capacitadas para o atendimento.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, a medida fortalece a assistência em nefrologia pediátrica no estado, ampliando a oferta de serviços e garantindo suporte adequado aos pacientes.
A hemodiálise é indicada em casos de insuficiência renal aguda ou crônica grave, quando os rins deixam de exercer suas funções adequadamente.
Entre os principais sintomas estão inchaço, redução ou ausência de urina, pressão alta, dor de cabeça e apatia.
No caso de Joaquim, a resposta ao tratamento foi rápida. Após as primeiras sessões, com duração média de três horas, houve redução do inchaço, melhora nos exames laboratoriais e diminuição da necessidade de medicamentos.
De acordo com a nefrologista pediátrica e chefe do serviço no HIJG, Dra. Martha Nunes Simon, a implantação exigiu preparação de equipes, aquisição de equipamentos e insumos específicos para o público infantil, incluindo máquinas, linhas, capilares e sistema de osmose.
A implantação da hemodiálise no hospital representa a concretização de um processo iniciado há cerca de 20 anos. Em 2025, sete pacientes da unidade precisaram do procedimento, o que reforçou a necessidade da oferta local do serviço.

A direção do hospital já avalia a viabilidade de ampliar a estrutura para atender também pacientes crônicos, com a possível criação de um centro de hemodiálise pediátrica.
Enquanto isso, Joaquim segue o tratamento com acompanhamento da equipe médica, mantendo planos e sonhos para o futuro.
Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina

