Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) confirmou, pela primeira vez, a presença do mosquito Haemagogus leucocelaenus em Santa Catarina.
A espécie é um dos principais vetores da febre amarela silvestre e foi identificada em áreas de mata de cinco municípios do estado, reforçando o alerta para a importância da vacinação contra a doença.
O estudo foi motivado pela ocorrência de epizootias, que são casos de adoecimento ou morte de primatas não humanos, registradas em fevereiro de 2021 nos municípios de Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna, Braço do Norte, São Martinho e Pedras Grandes.
A partir dessas ocorrências, pesquisadores realizaram coletas de mosquitos em áreas de floresta para identificar quais espécies estavam envolvidas na transmissão do vírus.
Entre janeiro e fevereiro de 2023, foram capturados mais de quatro mil mosquitos. As análises, feitas em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), confirmaram a presença de 91 exemplares do Haemagogus leucocelaenus.
Apesar de parte dos insetos apresentar semelhanças morfológicas com outra espécie encontrada apenas no Acre, exames morfológicos e moleculares confirmaram que todos pertenciam ao mesmo vetor da febre amarela silvestre.
A febre amarela é uma doença viral grave causada por um flavivírus. No Brasil, os últimos registros de transmissão urbana ocorreram em 1942. Desde então, todos os casos confirmados são relacionados ao ciclo silvestre, no qual o vírus circula entre mosquitos que vivem em áreas de mata e primatas não humanos.
Em Santa Catarina, entre 2019 e 2021, foram registrados 27 casos da doença em humanos, com oito óbitos. Em 2022, houve apenas um caso, importado de outro estado.
Segundo a bióloga Sabrina Fernandes Cardoso, doutora pela UFSC e autora principal do estudo, a confirmação da presença do mosquito representa um alerta importante.
Ela destaca que o estado já enfrenta altos índices de infestação do Aedes aegypti, mosquito urbano transmissor de dengue, zika e chikungunya. Caso uma pessoa seja infectada em área de mata e retorne doente para a área urbana, existe o risco de reintrodução do ciclo urbano da febre amarela.
O Haemagogus leucocelaenus é um mosquito de hábitos diurnos, que se desenvolve em cavidades naturais de troncos de árvores e prefere ambientes quentes e úmidos.
A presença do vetor indica risco real de circulação do vírus, principalmente em comunidades que vivem próximas às chamadas bordas de mata.
Especialistas ressaltam que a principal forma de prevenção contra a febre amarela é a vacinação, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Santa Catarina é considerada área de recomendação vacinal desde 2018.
Além da imunização, medidas como o uso de repelente e cuidados extras ao frequentar áreas de floresta são fundamentais.
Fonte: UFSC / Fiocruz / Secretaria de Estado da Saúde de SC




