O aterro sanitário deixou de ser o destino certo dos resíduos orgânicos produzidos por bares, restaurantes e outros estabelecimentos do Centro de Florianópolis. Desde abril deste ano, ao menos doze mil cento e setenta quilogramas de detritos foram transformados em adubo utilizado no plantio e na manutenção das árvores da região.
As coletas ocorrem às terças-feiras, quintas-feiras e sábados, em estabelecimentos que separam restos de alimentos e outros materiais orgânicos em recipientes com tampas herméticas até o momento da retirada. Depois dessa etapa, os resíduos são levados ao Centro de Valorização de Resíduos, no bairro do Itacorubi, onde passam pelo processo de compostagem.
A iniciativa é conduzida pelo Núcleo Centro Histórico da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) Florianópolis, em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que organiza a separação, a coleta e a compostagem do material. A aquisição dos recipientes usados pelos estabelecimentos foi realizada de forma conjunta para reduzir custos e garantir recipientes adequados, evitando vazamentos e odores durante o armazenamento.
Segundo o coordenador do Núcleo Centro Histórico da CDL Florianópolis, David Vieira, a compra coletiva facilitou o acesso aos recipientes e, com a parceria municipal, foi possível estruturar um processo completo, da separação à destinação final do material.
Após a compostagem, parte do adubo retorna ao Centro para atender à iniciativa de arborização desenvolvida pela CDL Florianópolis e executada pela Arboran, empresa voltada a conceitos de cidades verdes. A expectativa é que o composto seja misturado ao solo durante o plantio de árvores e reaplicado a cada seis meses para auxiliar no desenvolvimento da vegetação. O material também deverá ser destinado a espaços como a Praça XV, a Rua Felipe Schmidt e os canteiros de avenidas da região.
Segundo o biólogo e CEO da Arboran, Paulo Garbugio, o projeto fecha o ciclo dentro do próprio bairro: trata-se de um material natural, sem compostos químicos, que contribui para o desenvolvimento da vegetação e evita o envio de resíduos ao aterro sanitário. O projeto de arborização busca ampliar a cobertura vegetal e reduzir os efeitos das ilhas de calor, enquanto os jardins de chuva previstos para a região devem contribuir para o escoamento das águas em períodos de chuva intensa.
De abril, início da operação, até o final de junho, os veículos responsáveis pela coleta percorreram cerca de seiscentos e noventa e nove quilômetros. O volume retirado a cada coleta triplicou no período, passando de duzentos e cinquenta para setecentos e cinquenta quilos.
Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, cerca de cinquenta por cento dos estabelecimentos mapeados na área já aderiram ao serviço. A engenheira sanitarista e ambiental Karina da Silva de Souza, gerente da Coleta Seletiva da pasta, destaca que a coleta seletiva dos orgânicos vai ao encontro da meta do Floripa Lixo Zero, e que o aumento do volume recolhido mostra a ampliação da adesão e a consolidação do serviço entre os estabelecimentos do setor alimentício ao longo dos primeiros meses.
Os resultados da primeira etapa, considerados satisfatórios, levaram a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável a preparar uma expansão da coleta para a região Centro-Oeste. A previsão é de que o serviço comece ainda este mês em cerca de quarenta estabelecimentos já mapeados, que recebem orientações de educação ambiental.
Fonte: ND Mais
