Orelha, também conhecido como Preto, era um cão comunitário que vivia há mais de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis.
Cuidado por moradores, pescadores e frequentadores da região, o animal fazia parte da rotina local e era reconhecido como um símbolo da convivência comunitária na praia.
Nos últimos dias, Orelha foi brutalmente agredido, sofreu ferimentos graves e, diante da gravidade do quadro, precisou ser submetido à eutanásia. O caso gerou forte comoção na cidade e mobilizou moradores, protetores de animais e autoridades.


Diante da repercussão, a Polícia Civil de Santa Catarina realizou uma entrevista coletiva para esclarecer o andamento das investigações. Segundo a delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, e o delegado-geral Ulisses Gabriel, não existe vídeo das agressões, como chegou a circular nas redes sociais.
De acordo com a polícia, o que foi compartilhado foi apenas uma fotografia relacionada aos adolescentes investigados.
Atualmente, a Polícia Civil analisa cerca de 72 horas de imagens de mais de 14 câmeras de monitoramento, totalizando aproximadamente mil horas de gravações. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências de familiares de adolescentes citados na investigação, com recolhimento de celulares e computadores.
A Justiça, no entanto, indeferiu neste momento o pedido de quebra de sigilo dos dispositivos, por entender que não houve comprovação de relação direta entre os aparelhos e o crime, decisão que pode ser reavaliada futuramente.
Quatro adolescentes são apontados como suspeitos. Dois deles estão fora do país. Além disso, a polícia também apura possíveis ameaças a testemunhas e eventual tentativa de coação por parte de adultos, o que ampliou o escopo das investigações.
Durante as apurações, surgiram relatos envolvendo outro cão comunitário da região, chamado Caramelo, que teria sido levado ao mar em uma tentativa de afogamento pelo mesmo grupo. O animal conseguiu escapar, foi localizado dias depois e estava em boas condições de saúde. Caramelo acabou sendo adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel.
Segundo a Polícia Civil, o caso segue em andamento e não ficará impune. O delegado-geral afirmou que novas informações devem ser divulgadas nos próximos dias.
A morte de Orelha também gerou mobilização social. Uma proposta apresentada pelo deputado estadual Mário Motta prevê a criação de uma estátua em homenagem ao cão comunitário na Praia Brava, como forma de memória e conscientização contra os maus-tratos a animais.
Orelha não tinha um tutor único, mas tinha uma comunidade inteira. Sua história agora se transforma em símbolo de alerta, responsabilidade coletiva e da importância da proteção aos animais comunitários em Florianópolis.
Fonte: Polícia Civil de SC

